22 de novembro de 2011

"Droga da obediência"?


A Psicologia tem se preocupado com a crescente medicalização de esferas da vida nos tempos atuais. Ontem, iniciei um trabalho de psicoterapia breve em uma comunidade terapêutica de internação compulsória e pude perceber e observar fatidicamente os dados fornecidos pelo Jornal do Federal – out/2011- Jornal do Conselho Federal de Psicologia - onde somos informados espantosamente que em oito anos houve um acréscimo de 1.616% no consumo de Metilfenidato – princípio ativo dos remédios Ritalina e Concerta – medicação prescrita para crianças nos transtornos de déficit de atenção e hiperatividade- oferecendo-lhe o nome de “droga da obediência”. A idéia de que os problemas de comportamentos devem ser tratados como doenças do cotidiano, distúrbios ou transtornos vem crescendo significativamente na sociedade brasileira, tentando de todas as formas conter a diversidade de cada um dos seres humanos, patologizando todos aqueles que saem do padrão “normal” desejado.

Fatos como estes, abrem questionamentos entre os profissionais da área de psicologia, de como estão sendo construídas as subjetividades nos dias de hoje, medicalizando pessoas que apontam necessidades de transformação. Grifando como pano de fundo as “doenças” das crianças e dos adolescentes, padronizando normas de políticas públicas para não considerar pontos culminantes que “incomodam” a sociedade.

Olhar a singularidade das crianças e dos adolescentes nos diversos fatos apresentados na clínica de psicoterapia é primordial, considerando veemente a rede de relações que a envolvem. Atenção escuta e respeito são ingredientes básicos para tratar seres humanos antes de qualquer medicalização excessiva, “anulando” todo desejo próprio de cada ser humano em Ser. É preciso antes, oferecer oportunidade para que Sejam, e assim posteriormente buscar possíveis questões que são de âmbito puramente social, chegando às causas orgânicas como justificativas que afetam nosso ser, diagnosticando os vários comportamentos - propícios de cada indivíduo – como transtornos, subjugando-os aos fármacos.

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4 Deixaram sua Essencia:

  1. Sobre os caras que fazem isso só enho a dizer

    "Eles querem que você se sinta mal, pois assim eles se sentem bem"


    beeijo moça

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  2. A princípio, seu texto evidencia o sistema: Médico, doença (“doença”), remédio (comércio)... Cura.

    A triste constatação de seu texto, é que, também no que se refere à saúde, a sociedade é extremamente utilitarista. Em busca de um suposto “bem-estar” maior, a sociedade procura excluir ou isolar, ou ainda “medicalizar” parcelas de seres humanos, sem se importar com as consequências... Atitude igual, observa-se nas pessoas que defendem a diminuição da maioridade penal (de 18 para 16 anos), na pena de morte e por aí a fora...

    Obrigado pela reflexão!!!

    Bjo bom...

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  3. Muito útil, minha querida, essa informação. Aliás, com atenção e carinho curamos muitas doenças.
    Beijinhos

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  4. É uma constatação que me entristece já não é de hoje. Não se tem realmente buscado a necessidade íntima do ser humano. É preocupante esta maneira pela qual a sociedade está lidando com as diferenças formas de comportamento das crianças - o que se configura bem grave - elaborando roteiros de cura que excluem totalmente a busca sadia pela compreensão do funcionamento do ser humano em formação.

    Uma praticidade condenável, porque anula o que há de mais sagrado em nós, que é a possibilidade da alma se ajustar, conforme as experiências do dia a dia, seja na vivência com amigos ou a família. Em resumo, extingue a necessidade da evolução de maneira mais natural e saudável.

    Em suma, essa pretensão de maquiar o que é inerente, e medicar as "doenças", só tende, como você falou a anular a singularidade destes jovens e destas crianças. Porque evita-se justamente a dar a atenção necessária, e ignorar o desejo próprio do ser humano em ser. Como tu o disseste.

    As questões podem ser resolvidas, sim, com mais tato. Muito embora, duvide que esta rotina torturante se extingue...

    Só posso dizer que isto tudo me assombra...

    Beijo bom!

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A troca de idéias e de palavras me conquista. Sou apaixonada pelas palavras e quando estas não são minhas, são aquelas que de mim fazem parte, torno-me refém, sílaba por sílaba. Estas que são as palavras de vocês ao opinar lendo-me. Trocando-me. Sentindo-me. A dor e a felicidade moram logo ali no coração de todos e expressa-las é uma arte. Jamais devemos temê-las. Se passares por aqui, troque comigo uma palavra sua. Deixe o simples, o verdadeiro, que é seu. Só seu. O sentimento!

Um beijo. Obrigada!